Friday, February 24, 2017

Capital Inicial - o início da tragédia rock n' roll

Eu já fui a alguns shows legais, mas o pior show da minha vida foi um do Capital Inicial quando eu tinha 15 anos. Eu não era fã (não sou até hoje) e não sabia cantar nenhuma música deles (não sei até hoje) e, francamente, não queria ir, mas minha amiga V insistiu muito. E como eu tinha uma reputaçãozinha de roqueira a zelar (poor me...), achava que de vez em quando precisava dar as caras em algum show de rock...

Minha amiga V me convenceu de que Dylan, Stones, Byrds e demais figurões do meu círculo de preferências jamais viriam a Cascavel, então se eu quisesse ir a shows era melhor eu me conformar com os que vinham. Mesmo que fosse o Capital Inicial...

Coloquei meus braceletes, meu jeans rasgado e minha camisa do Guns (desnecessário falar que eu não tinha uma do Capital) e fui.

Pegamos a grade fácil, fácil. Claro que qualquer um que chegasse umas quatro horas antes pegaria também.  Fomos tão cedo para um show que ia começar às dez horas, que ainda estava de dia e por isso fomos a pé, sozinhas.  

Mas para a volta, minha mãe queria que eu ligasse para ela vir me buscar assim que o show terminasse. Eu não tinha celular, nenhum dos meus colegas tinha, a gente poderia usar o orelhão como era de praxe, mas não, minha mãe tinha um tijolar e  dessa vez fez questão de que eu o levasse contra a minha vontade.

Ela pendurou a alça da capa do celular no meu cinto e falou “agora não cai de jeito nenhum. A não ser que a alça arrebente. Pode pular à vontade”

Pulei à vontade. Estava no meio entre a V e uma desconhecida. E, em dado momento,  Dinho Ouro Preto agachou na nossa frente, naquele esquema de dar  a mão para os fãs. Mais que depressa a V puxou um braço dele e a desconhecida puxou o outro, e ele ficou ali se desequilibrando na minha frente quase caindo em cima de mim, mas felizmente ele conseguiu se soltar a tempo. E então comecei a rir sozinha imaginando uma cena absurda em que eu voltava para casa dizendo “mãe, sinto muito, mas o seu celular quebrou. É que o Dinho caiu em cima dele.” E só então eu resolvi olhar para o celular no cinto e percebi que ele não estava mais lá. Olhei para o chão e não vi nada além de muitos pés alheios.

Passei o resto do show de braços cruzados pensado na merda que ia acontecer quando eu voltasse para casa sem o celular. Quando o show terminou, perdi a V de vista no meio da muvuca  e só fui encontrá-la perto da saída. Beijando um desconhecido. Imaginei que ela não planejava encerrar a noite tão cedo e fiz o que qualquer menina de quinze anos responsável faria. Fui embora sozinha, pela madrugada afora, caminhando as quase dez quadras de distância entre o ginásio do show e a minha casa.

Cheguei e encontrei a casa vazia. Minha irmã não morava lá naquele ano, foi na época que ela era modelo em SP (#SuperModelSistah), mas os meus pais supostamente deveriam estar lá. Imaginei o óbvio. Eles ligaram para o número, alguém atendeu e eles foram buscar o celular. E foi isso mesmo que aconteceu: um segurança PNC o encontrou no chão e cobrou cinquenta reais de resgate.

Os dois estavam furiosos quando voltaram. Minha mãe, com o celular nas mãos, perguntou bufando :

“Cadê meu celular?”

“Huh, aí na sua mão?”

E então começou o interrogatório no qual ela queria saber como que o celular saiu do meu cinto se a alça dele não estava arrebentada. Ela não deu credibilidade para o meu “não sei” e continuou me questionando, meio que esperando eu confessar que, sei lá, tirei as calças no  meio do show?  Mas nessa eu era inocente. Eu nem fui ao banheiro enquanto estava fora de casa, tampouco tirei as calças no meio do show - ou o que mais ela estivesse sugerindo.

Não fazia a menor ideia da bruxaria que havia acontecido. E eu não pedi para levar o celular e ela garantiu que ele não ia cair de lá e pronto. Se caiu, então a culpa não foi minha.  Mas eu também fui burra, pois eu nunca conferi se estava bem preso mesmo, se realmente o único jeito de sair sem arrebentar a alça era tirando-o deliberadamente de lá, e eu não peguei mais nele para ver se a alça realmente não estava arrebentada. Pode ser que minha mãe apenas estava louca, mas eu não fui sã o bastante para pensar em conferir. Fiquei ouvindo o sermão lá parada que nem aquele personagem (era do Chico Anysio?) que só falava “ah, é, é? ah, é, é?...” e só pensava em uma boa defesa depois quando já era tarde demais.

Uns dias depois, minha mãe falou para eu não comentar nada com a sister sobre ter ido ao show, porque ela ficava lá isolada em SP e podia ficar com vontade.  Mas isso não era nem de longe verdade. Em SP ela sempre tinha coisas bem mais interessantes para fazer e ela também conseguia gostar menos ainda do que eu dessa banda. Até parece que ela ia ficar com vontade de ir a um show de merda e que eu ainda só me lasquei no final. 


I know, it's only rock n' roll but (sometimes) I (didn't) like it!




Tuesday, September 6, 2016

Oldies but goodies, Dean Torrence e suas versões BR


Quem me conhece, sabe do meu amor pelo duo de surf music dos anos sessenta Jan & Dean. Jan Berry era o produtor/compositor/cantor/cérebro/ego da dupla e Dean Torrence era o brincalhão boa onda responsável - principalmente - pelos falsetes. Dentre os dois, meu preferido sempre foi o Dean. 

Dos anos sessenta para cá, muito tempo se passou, muitas águas rolaram e muitas ondas foram surfadas.  Jan Berry morreu e Dean Torrence envelheceu. Mas crush é crush e a gente não pensa em idade. 

Na minha cidade, tem um homem que se parece muito (mas muito mesmo) com o Dean Torrence de hoje. O mesmo cabelo branco (outrora loiro), os mesmos olhos azuis penetrantes, o mesmo estilo largado de se vestir, a mesma altura, o mesmo tipo físico, o mesmo jeito de andar, de agir, de olhar. É o Dean Torrence (mas não é...)

Eu não sei nada sobre ele, apenas, coincidentemente, de tempos em tempos eu o encontro pelos mercados e pelas ruas da vida. Eu levo um micro-susto e fico encarando. Ele não entende muito, mas encara de volta com aquela cara de Dean. Fica quase como se fosse um flerte, mas não sai disso e cada um segue seu rumo.  E essa “brincadeira” começou há quase dez anos. Já cheguei a comentar sobre isso no twitter em outros carnavais, com meu estilo bruto de ser da época. 


Minha amiga Cheron Chevalier comentou qualquer coisa sobre um “velhão” que tem flertado com ela nos últimos tempos e que ela tem correspondido por achá-lo bem interessante, mas o lance também não sai das olhadas, e eu me lembrei do meu Dean. O “velhão” dela nem é tão “velhão” assim. Tecnicamente, ele é bem novo (uns 50 anos talvez...) e poderia ser filho do Dean. Mas a gente usa o termo em off como um código mesmo assim, já que não fazemos ideia do nome deles. 

Isso soa até um pouco contraditório, considerando que a gente sempre se refere a todo mundo, não importando se tem vinte ou cem anos, como “moço/moça” e nunca sequer cogitou usar a palavra “senhor/senhora” nem com os pais, nem com ninguém.  Todo mundo é moço, mas aqueles dois alvos em particular são os nossos “velhões”. Nossos "oldies but goodies".

Mas por que eu estou falando disso tudo?  Não é que eu não pare de pensar no Dean... Mas eu estava vendo vídeos de calouros que cantavam mal e me deparei com um que cantava com um timbre muito engraçado. Os jurados se matavam de rir e o povo desceu a lenha nas habilidades vocais do rapaz nos comentários. Ele era desafinado, por isso ficava feio e cômico, mas o timbre dele me lembrou muito os falsetes do Dean. Todavia, como o Dean é afinado, com ele fica bonito, agradável, fica uma “voz da pira”, diferentemente do calouro. 

Não cantaram as mesmas músicas, mas ouvindo os dois, dá para perceber que o calouro é nitidamente uma versão brasileira tone-deaf do Dean Torrence.  Eu achei que pudesse ser coisa da minha cabeça, mas quando mostrei para a Cheron, ela concordou que realmente ele tem a voz do Dean versão desafinada.  Eu postei no Youtube uma comparação entre os dois agora para os curiosos. Mas é só para comparar mesmo, não quero  zoar ninguém, é que eu não podia ignorar essa minha louca constatação. Não vou nem deixar o vídeo como listado no Youtube. Voilà:



“Então vai lá e faça melhor que o calouro” alguém pode pensar, mas essa é a questão que me trouxe aqui. Eu não posso fazer melhor que ele.  Nem a Cheron. A gente estava discutindo antes sobre isso mesmo. Será que somos tone-deaf? Aquelas pessoas que não têm salvação para música. Não conseguimos cantar nada direito. Somos terríveis musicalmente falando. É por isso que eu estava vendo compilações dos piores calouros. É por isso que acidentalmente eu cheguei nesse cara que me lembrou da voz do Dean – versão desafinada.

Foi inusitado encontrar, ao acaso, um calouro brasileiro com um timbre que lembra o do Dean justo no dia em que passei quase uma hora conversando sobre aquele homem daqui que se parece fisicamente com o Dean. 

Na teoria, deveria ser mais fácil conversar com esse cara que é aleatório e está geograficamente mais perto do que com o Dean verdadeiro que é famoso e americano, não é? Ironicamente, nunca falei com esse cara, mas já encontrei o Dean Torrence original duas vezes. Para fechar a história, aqui vai a lembrança de um encontro épico.

 

Quando eu tirar uma foto com o Dean cover (sobre qual pretexto é que eu não sei...) eu posto também para fazer a comparação. 

E isso é tudo! Surf's up!


Tuesday, August 23, 2016

Asa Branca é o Jim Carrey das paródias

Esses dias concluí que Asa Branca é o Jim Carrey das paródias. Ah?? Acho que sem explicar essa frase, ninguém vai entender. Nem que a pessoa seja o rei ou a rainha da sinapse.

Vamos lá. Quem é muito fã do Jim Carrey (eu!!!)  já deve ter visto todos os seus filmes nas sessões da tarde e nos cinemas em casa da vida. Até os mais bobos, como Procura-se um rapaz virgem e Dois pés frios numa gelada. Sem entrar no mérito de seus respectivos roteiros agora, por favor...  E também deve ter visto algumas de suas apresentações antigas de Stand Up no Youtube.

Uma delas em particular faz muito sucesso. Um Jim Carrey bem jovem, na casa dos vinte, imita Jack Nicholson, Clint Eastwood, Charles Bronson, James Dean (especialmente o James Dean), entre outros, mas o imitar dele não é simplesmente falar igual a pessoa. Ele nem fala, ele apenas transforma sua cara na cara dessas pessoas, quase que magicamente. Fácil, né? Em um dos comentários dos usuários, alguém diz que o rosto dele tem o biotipo perfeito para fazer aquelas imitações, o que parece fazer sentido. Então, aparentemente, não é só talento que conta. Ele tem talento, MAS também tem o rosto perfeito para fazer tais imitações. 

Caso você não seja um grande conhecedor do trabalho de Jim Carrey, para não dizer que eu sou uma tiete louca, aí vai a prova fundamentada do que eu estou falando. (James Dean aos 4:11 só para constar...)



Agora esqueça o Jim Carrey.

Desde criança, eu tenho mania de fazer paródias absurdas. Escrevi várias para enviar ao programa Concurso de Paródias do Moacyr Franco nos anos noventa (mas nunca as enviei, pois tinha preguiça de colocar tudo num envelope e levar ao correio que ficava a uns vinte passos da minha casa, sem exagero. E também porque, no fundo, eu sabia que nunca teria como ir para lá caso me chamassem. mas vamos esquecer essa parte também.

Este ano, fiz uma paródia com a música Asa Branca de Luiz Gonzaga e descobri que ela é muito fácil de ser parodiada. Primeiro, porque ela tem muitas palavras que terminam com ÃO, e isso por si só já é um grande facilitador. E segundo porque a métrica dela é muito redondinha. Perfeita para uma paródia. Tá, às vezes algumas palavras das paródias fogem um pouquinho da métrica, mas ainda assim ela é perfeita.

Tudo começou quando uma amiga que não vou citar o nome  (embora todo mundo que me conhece já deve imaginar de quem se trata, até porque só tenho uma amiga, então quem mais poderia ser?  hahah), mas enfim, não vou citar o nome porque ela tem namorado e a história é trash. Mesmo com namorado, ela gostava de dois outros caras, com a mesma profissão e que trabalhavam no mesmo lugar. Mas a situação era tão engraçada que eu fiz uma paródia sobre o primeiro crush por acaso, usando Asa Branca porque foi a primeira música que me veio na cabeça. Nunca tinha feito paródia com ela antes. E deu certo. E ficou engraçada. Então fiz a paródia sobre o segundo crush dela que ficou até mais engraçada que a primeira. Ela adorou. Talvez um dia ela cante as paródias para os respectivos crushes em uma serenata do escárnio, vamos ver...

Depois fiz uma terceira paródia com essa música sobre um inimigo, e depois sobre um outro inimigo. É, eu tenho alguns inimigos, mas, em  minha defesa, não fui eu quem criei a situação de inimizade com nenhum deles. Bem, isso não importa agora, o que importa é que eu descobri que eu levava uma média de cinco minutos para criar uma paródia completa. Um minuto por estrofe. Quase adicionei essa informação relevante como uma habilidade especial em meu currículo. "Faço paródias de Asa Branca sobre qualquer assunto em cinco minutos."

Foi aí que concluí que Asa Branca era fácil de se adaptar a qualquer assunto mesmo. Ela possuía o biotipo perfeito. Era o Jim Carrey das paródias.

Além das paródias sobre os dois inimigos e os dois crushes alheios, também fiz uma sobre um carinha que tanto eu quanto minha amiga achávamos bonitinho e que fazia parte do nosso convívio. Mas as cinco paródias não podem ser reveladas, pois além de dar nomes (e apelidos) a todos os bois, ainda revelam segredos e outras coisas absurdas que jamais poderiam vir a público agora. Então elas vão ficar só no meu caderno secreto e, para alguém ler, precisaria me matar antes. Mas não vale muito à pena...

Por outro lado, como eu estou há duas horas falando de paródias dessa música, o mínimo que eu podia fazer era postar em exemplo aqui.

Essa foi para o Jogi Low (técnico da seleção alemã). Como ele é uma pessoa pública, não preciso ficar contextualizando nada, igual nas outras. Então lá vai.


CAMISA BRANCA

Quando olhei o Jogi Low
Aquele técnico alemão
Com a mão bem down low, ai,
Tava nem aí para Seleção.

Que braseiro, que fornalha
Mas que técnico bonitão
Por falta de modos, perdeu um golaço
Tava distraído com seu calção.

Inté mesmo o Schweinsteiger
O Podolski e o Manecão
Jogadores suam e cospem
Mas não são tão porcos, não.

Hoje longe muitas léguas
A revoltada multidão
Espera que ele nunca coma meleca
Nem leve ao dick a sua mão.

Quando o coach do outro time
vibrar por um gol com emoção
Eu te asseguro, não ligue não, viu,
O melhor manager, viu, é o alemão.














Wednesday, July 27, 2016

Crônica: Chandelier


Diálogo que tive com um jovem desconhecido, com cara de metaleiro, que sentou ao meu lado no ônibus ouvindo música - com fone de ouvido - num volume muito alto.

- Hey, a música tá muito alta. Até eu sei o que você tá ouvindo, e não é heavy metal.
- Quê?
- Chandelier. 
- Quê? - tirando o fone.
- Eu disse que a música tá muito alta.
- To te incomodando?
Pensei: "Não, e lá vai um segredo de estado bom para ser compartilhado com um desconhecido: eu gosto dessa música. Talvez as próximas que você escutar sejam chatas e eu me incomode, mas por enquanto, não."
Mas falei:
- Não é isso, é que você vai ficar surdo se continuar ouvindo música nesse volume.
- Nada a ver, eu sempre ouvi música assim.

Depois deste argumento irrefutável, eu tive que encerrar a discussão.

- Ah, então beleza, já que você sempre ouve assim, você não vai ficar surdo...

Parei de me preocupar com a audição alheia e comecei a me preocupar com a pronúncia alheia, enquanto ele cantarolava de um jeito meio estranho: "I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier..."



Friday, July 22, 2016

Crônica: Visita Célebre

O escritor Álvaro Cardoso Gomes foi visitar a nossa escola e dar uma palestra para a nossa sétima série e ninguém cogitou registrar o momento.  Naquela época, ninguém tinha (ou sonhava ter) celular e tampouco uma máquina fotográfica particular. Assim, só era normal levar câmera para o colégio no último dia de aula. E esse não era o último dia de aula. É até engraçado pensar que hoje seria inadmissível não bombardear alguém tão importante com uma chuva de selfies. 

A professora mandou levar livros dele para autografar. Ela foi bem enfática dizendo que ele só autografaria livros e nada mais (palavras dela e não dele). Isso não deveria ser um problema.  Ele era nosso autor parça desde a quinta-série e todo mundo tinha ao menos o “Amor e cuba-libre” que era uma de nossas leituras obrigatórias daquele ano e todo mundo teve que comprar um exemplar.

Não deveria ser um problema, mas foi. Eu esqueci o meu em casa e não fui a única. Outra criaturinha – que não vou citar o nome para não criar um climão anos depois  – levou um Pedro Bandeira  (outra leitura obrigatória daquele ano) achando que era tudo a mesma coisa.

Beatriz, nossa garota exemplar, não levou só um livro, levou uns dez. Quase a coleção completa da obra de Álvaro Cardoso Gomes: A hora do amor, A hora da luta, O diário de Lúcia Helena... E ainda estava triste porque esqueceu um em casa. No auge de seu desapontamento, ela se vira e fala para a pessoa que não levou nada e corria risco de ser rechaçada da fila que estava triste porque tinha onze livros e só trouxe dez. Mas tudo bem, eu entedia a frustração. Largar um só para trás é mesmo horrível.

Após Beatriz impressionar o autor com sua inteligência e sua coleção de livros, levei minha humilde agenda do colégio para ele autografar. Enquanto esperava minha vez, fui escrevendo uns recadinhos fofos para ele.  Não podia ser tão ruim, tinha gente que levava só folha de caderno solta e ele estava assinando mesmo assim.

Pedi desculpas por ter esquecido o livro em casa e ele, sempre fofo, falou que não se importava, pois minha agenda com os recadinhos era mais interessante.  Eu continuei: “pelo menos não é um guardanapo”, e ele disse que também não teria problema se fosse, pois ele já assinou muitos.  E então eu mandei “Se eu tivesse um guardanapo com um autógrafo seu, eu guardaria para sempre.” Ele já estava começando a fazer cara de “oww” quando a tonta aqui continuou: “a não ser que eu tivesse num lugar bem deserto, sem nada por perto e meu nariz começasse a sangrar e eu não tivesse nem de manga longa (Que porca! Pra que fui falar isso?). Daí eu seria obrigada a limpar o nariz no guardanapo autografado mesmo.”.

Ele deu uma risadinha com cara de “WTF?”, mas concordou que essa seria a melhor solução. Pensando bem, eu deveria ter autografado um guardanapo mesmo.  A probabilidade de perdê-lo no deserto durante uma hemorragia nasal era bem mais remota do que perder a agenda do colégio, uma vez que todo fim de ano minha mãe a jogava no lixo sem nem pensar em ver o que tinha dentro dela. 



Thursday, July 21, 2016

Crônica: Grease, nos tempos da correria

7ª série B. A professora de português fez um jogo rápido: “querem fazer uma prova sobre o livro (Amor & Cuba-Libre – Álvaro Cardoso Gomes) e o filme (Grease) ou querem fazer uma "festa anos sessenta" com todas as outras sétimas?”

“FESTAAAAA!!!” gritou todo mundo, mas eu estava em dúvida. Tinha acabado de ler o livro, e, francamente, duvidava que pudesse cair qualquer coisa sobre o filme que eu não fosse acertar. Se fosse um conteúdo mais difícil... mas me parecia um desperdício negociar justo a prova mais fácil do ano. Joguei a data da festa no lixo mental e só me lembrei na véspera:

“Mãe, vamos fazer uma festa anos sessenta no ginásio e tem que ir vestido a caráter.”
“Que legal! Quando?”
“Amanhã.”
“Quê??”
“Amanhã! E quem não for, reprova.”
“Como assim? Quando que a professora marcou isso?”
“Hoje!”
“Eu quero a verdade, dona Ana Paula!”
“To falando. Foi hoje.”
“Duvido! Ela não faria isso.”
"Faria e fez. E quem não for, RE-PRO-VA.”

Minha versão da história foi coberta pela costureira, que dizia não ter tempo para costurar uma saia godê de bolinhas, pois já tinha outras duas do mesmo modelo para fazer, e tampouco tinha tecido de bolinha sobrando, pois todos foram comprados por outras mães apressadas.

Comprou um quadriculado, preto e branco, para ela mesma costurar, sempre xingando a irresponsável da professora e o fato de, naquele momento, eu ser menina. Seria mais fácil arranjar uma roupa de menino. Resolveu, também, alugar “Grease” para copiar melhor o modelo. Na locadora, encontrou mais duas mães procurando pelo mesmo filme. Outra vez, minha versão foi, milagrosamente, confirmada.

Em casa, costurava a saia enquanto se vangloriava: “não sei como as outras mães - que não são tão talentosas para costura quanto eu - vão fazer. Essa professora é doida. Mas ela vai me ouvir...”

A boa notícia é que ela terminou a saia e ainda arranjou tempo para costurar outros detalhes do "look” com o mesmo tecido. E ainda pintou de preto um sapato outrora marrom que não combinava com nada.

À noite, ela me deixou na tal festa com os pequenos Johns Travoltas e as pequenas Olivias Newton-Johns, mas - cinco minutos depois - voltou:

“Quando estava indo embora, passei pela mãe da Fulana e conversamos. E olha que engraçado, ela disse que a roupa da Fulana já foi feita pela costureira há duas semanas. Eu não sabia que a Fulana era vidente.”
“É queeeee...........................”
“Vai pensando aí em sua desculpa. Em casa a gente conversa. Aproveite a festa!”
Não me recordo se eu aproveitei.


Saturday, July 16, 2016

The Beach Boys: 50th Anniversary

Em 2012 os Beach Boys comemoram 50 anos de existência e o inacreditável aconteceu. Todos os cinco membros vivos (Brian Wilson, Mike Love, Bruce Johnston, Al Jardine e David Marks) se reuniram para um tour e os dois mortos (Dennis Wilson e Carl Wilson) apareceram no telão, cada um cantando uma música (Forever e God Only Knows, respectivamente) com os Beach Boys vivos no palco fazendo backing. 

Eles meio que plagiaram minha ideia. Desde os primórdios do Orkut eu já falava que isso tinha que acontecer: reunião entre os cinco vivos com os dois mortos no telão. Mas parecia impossível. Eles estavam todos brigados. Mike e Bruce X Brian, David e Al. E não parecia ter volta. Todavia, em 2012 o famigerado reencontro realmente aconteceu.

A banda de apoio ficou uma bagunça. Usaram a maioria dos músicos da banda do Brian Wilson, apesar de eu estar bem mais acostumada com a banda de apoio do Mike (Christian, Randell, Cowsill...) pelo menos o Cowsill foi mantido nesse tour.

Eu nem podia viajar de novo, mas, era uma ocasião especial. Não ia se repetir em outro ano que não fosse 2012, então eu fui. Nem contei para ninguém. Fui na surdina (en catimini) para não ouvir represálias. Simplesmente sumi das vistas de todo mundo por quatro dias sem explicação. Um  dia para ir, um para voltar e dois para aproveitar. Foi a viagem para o exterior mais rápida e mais econômica que já fiz na vida. (Paraguay não conta, né? É sempre bem mais rápido. E bem mais econômico).

Era maio, fora de temporada, passagem com desconto de 45% no dia que comprei, e mais duas noites no hostel mais barato de Miami.  Tudo bem que era um "creepy hostel", mas não se pode esperar muito do hostel mais barato de uma cidade, não é mesmo? 

No começo eu nem tive muito tempo de reparar no quão "creepy" era o hostel.  Cheguei do Brasil de madrugada e capotei. Acordei lá pelas onze da manhã e apesar de o show ser às oito da noite, eu já fui para o local assim que acordei. Eu sou muito desesperada mesmo. E também porque combinei com o Cowsill de encontrá-lo às duas da tarde no cassino em que seria o show, para 'tentar a sorte com os dados." 

Na verdade, é que eu me sacrifico muito para ir ver os shows, então eu sempre deixo bem claro que eu quero encontrá-los bem antes da hora e ficar lá com eles. :) 

Eu, o Cowsill, o D'amico (um cara da banda do Brian) e a filha dele, Malena, andamos pelo cassino e comemos (e bebemos) boa parte do tempo. Menos a Malena, que eu acho que tinha uns quatorze anos.

Enrolamos até a hora do soundcheck. Geralmente, no soundcheck só a banda de apoio que testa. Eu ainda não tinha visto nem a cor do Mike Love e cia. Como esse show era especial, tinha um esquema de meet and greet para as pessoas que pagaram uma quantia X para tirar foto com os cinco membros oficiais da banda, então foi bem demorado chegar neles, porque tinha que esperar todo mundo que pagou tirar a foto e era uma fila imensa. 

Enquanto isso, no backstage, Scott Totten (da banda do Mike) estava lá com a mulher, a filha que na época era um bebê e o filho que tinha uns oito anos e não desgrudava do videogame. Ele nem sequer via o show na hora que tava rolando. Só ficava lá dentro jogando. 

Então o Cowsill sumiu e voltou com dois gêmeos de uns 16 anos. Um menino e uma menina. A menina tocava numa orquestra que às vezes acompanhava os Beach Boys em shows mais raros e refinados e o menino era... sei lá, só o irmão gêmeo dela. O Cowsill me disse que os gêmeos eram seus convidados do show e disse para os gêmeos que eu era convidada dele também e finalizou dizendo "I have so many dates tonight." E os gêmeos perguntaram onde eles iam se sentar no show e ele respondeu "Não sei, em qualquer lugar" e finalizou: I'm a terrible date."

Depois do greet and meet interminável, a banda finalmente entrou nos bastidores. Eu esmaguei o Mike de tanto abraçar. Depois conversei, um pouco mais contida, com o David Marks e Al Jardine. Nem vi o Bruce Johnston nessa hora e Brian estava com uma cara de mal-humorado comendo macarrão em uma mesa. 

O ambiente estava muito intimidador para ficar tirando fotos. Com Brian e cia por perto é diferente de quando está só a banda do Mike. Mas foi muito legal ver todos eles reunidos. O show foi enorme e teve dois intervalos de uns quinze minutos que povo usava para comer ou ir ao banheiro. Nessses intervalos a banda ia ao backstage e eu sempre ia atrás, bem maria vai com as outras. E toda vez que entrava, lá estava o filho do Scott com a cabeça grudada no videogame.  Quando acabou o show, Scott e a mulher até simularam que estavam indo embora sem ele, que continuou lá grudado no videogame, e então do nada ele se ligou e gritou "oh my god, where's dad??"

Depois que acabou e todo mundo foi embora, eu fui em um bar do cassino só para usar o wi-fi e depois de um tempo eu olho e vejo numa mesa ali perto Al Jardine, a mulher e os dois filhos. Eu quase fui lá tirar mais fotos, mas achei melhor, não. Se fosse o Mike eu até ia, mas com o Al Jardine eu não tenho muita intimidade... Aliás, não tenho intimidade nenhuma. 

Chamei um táxi, pois já era de madrugada, e voltei para o meu creepy hostel.  Era daqueles que os quartos das meninas e meninos são separados. (pelo menos isso, né?) 

No meu quarto havia mais quatro meninas. Duas suíças que logo fiz amizade, Lea e a outra eu esqueci o nome, uma outra que acho que se chamava Lou e uma mais velha, de uns quarenta e poucos anos, que também não lembro o nome.

Cheguei ao hostel quase umas quatro da manhã. Adentrando o recinto, vi a mulher de quarenta anos com uma roupa meio vulgar claramente dando em cima do rapaz da recepção, mas não era meu problema e segui reto. No sofá da sala lá dentro, vi um homem de uns cinquenta anos conversando com uma ruivinha que devia ter uns 17 ou 18 no máximo. Também não era meu problema, Fui para o meu quarto e apaguei. 

No dia seguinte, todo mundo só falava de um suposto estupro no sofá. Diziam que a ruivinha estava bêbada e nem viu que o cara mais velho estava tentando f****- nem sei se conseguiu, a ruiva sabia menos ainda. Para a sorte dela, nem lembrava de nada. Eu e as suíças começamos a chamar o cara de "the creepy guy" toda vez que passávamos por ele. Ele era americano, pelo sotaque diria que era do Texas e sua cara não inspirava muita confiança.

Depois apareceu um careca tatuado falando que trabalhava na MTV em um programa sobre tatuagens e perguntou se a gente queria sair para usar 'drogas' com ele. Convite que gentilmente recusamos. E começamos a reparar que estava cheio de creepy people naquele hostel.

Fomos ao nosso quarto e a garota Lou estava deitada na cama com seu namorado Joe, Ele dormia em um dos quartos dos meninos, mas como não estavam dormindo, estava de dia, eles estavam namorando na cama dela. A gente entrou para pegar as coisas de praia e, claro, ir à praia. E comentamos de zoeira que seria engraçado chamar o creepy guy, o tatuado da MTV e outros para fazer uma "creepy party" no hostel.

Passamos a tarde toda na praia e depois fomos ao mercado e voltamos ao hostel. Pelas paredes do lugar dizia que não pode levar bebida para os quartos. É para deixar na geladeira com o seu nome etiquetado. Eu comprei um toddy que pretendia beber no dia seguinte no café da manhã, então deixei na geladeira e fomos para o quarto.

Chegando lá, não havia ninguém. Eu peguei meu pc para mostrar a elas as fotos do show dos Beach Boys na noite anterior. Enquanto estávamos lá, entrou  Lou com o namorado. Até aí tudo bem. De repente, entrou uns amigos do namorado da Lou. Tudo bem, vai. E quando olhamos de novo, lá estava o Creepy Guy e o tatuado, todos espremidos em nosso quarto, pisando nas roupas e coisas que estavam espalhadas pelo chão.

Um cara nada a ver sentou do nosso lado na cama e ficou tentando puxar conversa. Eu só abri o Word e digitei pra elas 'that's our creepy party' e a gente teve um ataque de riso, até que o riso se transformou em ódio e a Lea começou a gritar e mandar todos saírem pois ela tinha que trocar de roupa". E eles saíram. 

Na manhã seguinte, descemos para o café. O hostel fornecia chá, café e panquecas, mas eu queria comer panqueca com o Toddy que eu tinha guardado. Fui até a geladeira, revirei tudo e não estava mais lá. Fui até o cara do balcão - que fez questão de deixar claro para quem tentava trapacear que as bebidas tinham que ficar na geladeira e não nos quartos - e disse " I hate this hostel. Everybody here is creepy." Ele perguntou por que e eu falei do toddy desaparecido e ele falou "I'm sorry" mas não resolveu meu problema. E sugeriu que eu tomasse café ou chá mesmo, que era de graça. 

E eu fui. Nem podia demorar muito. Meu voo back to Brazil ia sair logo em seguida. (Mas para ser justa, não havia só creepy people, também conheci algumas pessoas bem legais por lá.) Bye bye, Beach Boys. Bye bye, creepy hostel.


Bruce, Al, Brian, Eu, Mike e David
                                             

                                                       Beach boys bem jovens nos anos 80

                                          Logo dos 50 anos de banda (criado pelo Dean Torrence)

                                                  David, Brian, Mike, Bruce e Al no show

                                                          Carl e Dennis Wilson

                                                                   David Marks

                                                                     Scott Totten



John Cowsill

                                                     
                                                                      John Cowsill

                                                                    Darian Sahanaja
                                                           
                                                                     Probyn Gregory

                                                                 Mike D'amico

                                                                  MIKE LOVE




                                                                      Miami Beach



                                                          The creepy hostel - com as suíças



                                                       

Friday, July 15, 2016

Crônica: Dean Torrence, alguns Beach Boys e o mictório

Desde 2007, a cada biênio em Myrtle Beach (SC) há um evento do dia das Mães que conta com um show do Dean Torrence (Jan & Dean), Al Jardine e David Marks (os dois são ex-Beach Boys).

Descobri isso por acaso em 2007. Eu queria muito ir. Peguei minhas economias do meu último ano de trabalho e fui. Ou melhor, nem fui.

Eu nunca gastava com nada, porque além de sempre ter sido muito econômica na vida (não vou à balada, corto meu próprio cabelo, faço sozinha em casa os serviços que geral faz no salão, e, cara, além de ser a rainha dos brechós, eu ainda uso metade das roupas e sapatos que eu usava no ensino médio), meus pais é que gastavam com as coisas da casa e eram legais o bastante para gastar com coisas que claramente deveriam ser arcadas por mim, e eu guardava meu dinheiro para minhas loucuras esporádicas.

Essa ia ser uma loucura esporádica, mas não deu muito certo. Eu precisava renovar meu passaporte. Visto americano eu tinha válido até 2010, mas eu só tinha ido aos EUA uma vez em 2000 e desde então não havia mais pisado em solo americano e meu passaporte estava vencido desde 2005.

Quem tentou tirar passaporte em 2007 deve se lembrar de que foi um ano fora do comum. A PF simplesmente não fazia nada. Estava tudo lotado e parado. Eles falavam que não tinham a folha para imprimir os passaportes, o prazo mínimo era de três meses e só as prioridades (os casos de viagem urgente para tratamento de saúde) podiam furar filar. Meu caso não era lá muito urgente...

Mas isso era fevereiro, eu ainda tinha esperança de dar tempo. Enquanto isso, entrei no MySpace. Não sei como é lá ainda, mas na época apareciam as pessoas que estavam online naquele momento. Eu procurei aleatoriamente alguém que estivesse online e fosse de Myrtle Beach, pois eu queria fazer algumas perguntas sobre a cidade. O primeiro cara que apareceu online e morava lá se chamava Jay. Fui conversar com ele e conversa vai, conversa vem, descobri que ele era ninguém menos que o organizador do evento. Bingo! a maior coincidência da minha vida. Eu já tinha backstage garantido se quisesse. Apesar de eu já ter falado uma vez com o Dean Torrence, fazia muitos anos, e eu não possuía mais nenhum contato com ele. A ajuda do Jay seria essencial. Só precisava que a p**** do passaporte ficasse pronto até lá. Mas não ficou.

Dois anos depois, maio de 2009, lá foi o Jay fazer o mesmo evento com Dean, Al Jardine e David Marks. Nessa época eu não podia ir de novo. Eu já tinha passaporte, mas também já havia ido aos EUA pouco antes. Não tinha a menor condição de voltar lá só para isso. Tive que deixar passar de novo.

E então, dois anos depois, maio de 2011 (estou considerando que quem lê isso é de humanas, então estou desenhando as contas) eis que ia ter o evento de novo. Dessa vez eu não podia perder por nada nesse mundo. Dean, Al e David que esperassem por mim. Depois de um gabiru e um adiantamento da minha ex-chefe, que eu tive que pedir, porque só com o que eu tinha e com uma pequena help da minha mãe ainda assim faltava um pouco) eu estava pronta para ir. Eu ia viajar em maio, precisava dar um bom gabiru pra conseguir isso sem a chefe chiar e ,ainda por cima, me ajudar – mas o gabiru em questão não vem ao caso agora...hehehe)

Dessa vez, admito que eu já não precisava mais da ajuda do Jay – o organizador do evento. Eu conversava com quase todos da banda de apoio no MySpace e já tinha falado para alguns deles que eu ia. Até com o próprio Dean Torrence eu consegui conversar e ele falou que estava me esperando. Mas o Jay era meu camarada online e claro que eu queria conhecê-lo pessoalmente – e sua esposa também.  


Minha amiga Mary W. disse que também ia. Eu a conheço desde quando eu tinha uns 13 anos. Ela tem lá seus cinquenta e poucos anos e não liga muito para Beach Boys. Todavia, é fanática por Jan & Dean. Ela já meu deu um monte de fitas VHS e CD's do Jan & Dean, e ela foi há muitos shows e inclusive passeava com o Jan Berry para lá e para cá. Quem conhece a dupla, sabe que o Jan tinha vários problemas de saúde e precisava sempre de um acompanhante. E um dos prazeres da vida da Mary era ser essa acompanhante. O Jan era um fofo, mas já morreu. Eu inclusive fiz um poema para ele em outros carnavais. Poema bobo, meu inglês não era bom, mas a Mary falou que estava lindo e que ele ia adorar. E ele de fato disse que adorou. Lógico que o Jan não ia falar para a criança que não gostou... Essa é outra história. Mas vai lá. Assim, vocês já ficam conhecendo a Mary também.. 


Para este show, ela levou outros amigos que acabaram virando meus amigos também: Karen, Noah, Joey e Stephen. Todos na casa dos 50 ou mais. E todos muito legais. A melhor parte foi que ela e a Karen queriam dividir comigo um quarto num hotel muito chique situado ao lado do local em que ocorreria o evento. Eu falei que não, que era muito caro, mas me liguei que dividindo entre as três ia dar 70 dólares para cada uma. Bem mais barato do que se eu tivesse que ficar em qualquer hotel sozinha e ainda ter que pegar ônibus para ir até lá.O hotel costuma ser mais caro que isso, mas quem dizia que ia ao show ganhava um grande desconto.  Então ficamos lá mesmo. Não só a gente, mas a banda também.

Ela e seus amigos chegaram um dia antes. No dia anterior ao show ia ter uma confraternização e a banda autografaria CD’s. Eu queria ir, mas a logística não me permitiu. Eu ia chegar do Brasil por Atlanta e trocar de voo lá mesmo para SC, mas não havia voo no horário que eu queria, então eu ia ter que mofar muitas horas no aeroporto. Horas ociosas enquanto a confraternização rolava, e eu só chegaria lá à noite. 

Depois de uma viagem longa do Brasil até Atlanta e horas perambulando pelo aeroporto, é claro que eu cheguei ao hotel fedida feito uma porca fugitiva desejando não encontrar ninguém pelo meu caminho. Entretanto, a primeira coisa que eu vejo é o Al Jardine ali parado. Eu desviei. Eu não o conhecia pessoalmente e queria muito falar com ele, mas não fedorenta do jeito que eu estava. 

Fiz meu check in rapidinho e saí correndo porque não queria encontrar ninguém antes de tomar banho. No meio do caminho ainda passei por um cara da banda de apoio, o Philip Bardowell e fingi que não o vi e peguei elevador com outro cara da banda de apoio, o filho do Al Jardine, Matt Jardine. Fingi que não o reconheci. Normal, a banda de apoio não é famosa. Nem mesmo Al, David e Dean costumam ser tão reconhecidos assim.

A Mary ficou de me apresentar a todos da banda formalmente no dia seguinte, mas eu acabei descendo bem antes dela para o café e no caminho do meu quarto até lá eu já acabei passando por quase todo mundo. Desde outros fãs que eu conhecia pelo MySpace até os membros da banda mesmo, Dei oi para o David Marks quando passei por ele pelo corredor, e ele ficou com uma cara de “nossa, você me conhece?” e depois perguntou “você vai ao show, né?” Passei de novo pelo filho do Al Jardine e dessa vez, que supressa, eu já o conhecia. E também abracei Dean Torrence na fila do scrambled eggs. Ele falou que estava me esperando dessa vez (!!!),  contou que a filha dele estava no Brasil com o namorado dela. Eu fingi que nem sabia que ele tinha filha, embora eu já tenha stalkeado a dona Katie até não poder mais e até já sabia que ela estava no Brasil. LOL

Antes do show, eu e Mary passeamos pelo local procurando pelo Jay. Eu não sabia direito como ele era, porque ele só tinha uma única foto no MySpace. Ele era careca e devia ter uns quarenta anos, mas lá estava cheio de carecas parecidos e eu não tinha muita certeza de nada. Abordei uns quatro carecas errados até chegar ao verdadeiro Jay.

Quando finalmente cheguei na criatura certa, ele queria me apresentar à banda que estava atrás do palco comendo. Fui lá bem tonta ser apresentada de novo. Mas foi bom, pois então eu pude tirar fotos com eles. Antes eu estava no limbo e não pensei nisso. Mas tirar fotos é uma coisa importante para se fazer nessas ocasiões.

Durante o show, Mary colocou um tripé com a câmera bem na frente do palco e gravou o show inteiro. O Dean até pediu para ela depois uma cópia da gravação. Ficou muito bom! 

Ao fim do show, o povo ficou comprando CD's e camisas autografadas. Nós também compramos e depois eu e Mary sequestramos o Dean. Passamos um tempão conversando só com ele. Eu quase esmaguei o coitado de tanto abraçar. Ele era muito fofo e foi muito simpático. Falamos sobre a vida, sobre viagens,  sobre o Jan, sobre o Brasil, sobre as filhas dele que eu fingia não saber nada sobre...

A gente conversava e bebia refrigerante, conversava e bebia. A banda tinha uma caixa de latas de coca à disposição e o Dean trouxe a caixa para a gente e ficamos ali bebendo de bem com a vida. Mais tarde a produção foi pagar o resgate do sequestro do Dean. Eu e a Mary perdemos a dignidade esmagando o Mr. Torrence de tanto abraçá-lo em nossa despedida. Ele continuou muito fofo. Agradeceu um monte de vezes a nossa lealdade depois de tantos anos e depois ele que quase nos esmagou em um novo abraço. Ah, e nos deu uma caixa de sorvete para a gente "jantar".

Chamamos os amigos da Mary e tomamos sorvete no quarto. Não descemos mais nenhuma vez com medo de encontrar Dean e os outros no lobby do hotel.  A gente teve uma despedida tão perfeitinha. Seria meio tosco encontrá-los de novo depois disso.

Mas quando é para ser, é para ser. De madrugada, eu e Mary descemos, de pijama mesmo, pois queríamos comprar salgadinhos na vending machine rapidinho e quem encontramos? Dean segurando uma caixa de cerveja. Ele olhou para gente e disse 'nice cow'. Só então me dei conta de que eu tava com um pijama branco ridículo. A calça tinha um monte de vaquinhas desenhadas e a camisa tinha uma vaca só, mas enorme.

A gente perguntou se ele tava bebendo com a banda e ele disse que não, que estava sozinho e convidou a gente para beber com ele lá fora, porque não podia beber dentro do hotel. A Mary é muito certinha e jamais aceitaria sair para beber com qualquer um que não fosse Jan ou Dean. Como era o Dean, ela foi, mesmo sendo claramente contra suas convicções.

Depois de tanto beber, todo mundo quis fazer xixi e agora vem a parte mais bizarra da história que eu estou hesitando em contar, mas, ao mesmo tempo,  eu não posso deixar passar em branco.

Eu sempre uso o "Oi Girl" para mijar fora de casa (aquele cilindro que a mulher usa para mijar de pé como se fosse homem), pois sentar em privada pública é tenso e mijar agachada é muito cruel: você se cansa e quer se levantar muito antes de terminar e o xixi também sai todo desorientado.

Enquanto conversávamos, em algum momento o assunto virou banheiros nojentos de estrada e em dado momento eu comentei do Oi Girl. E na hora que todos iam ao banheiro, Dean perguntou se eu ia usar o Oi Girl e eu confirmei e ele completou que então dava pra mijar no mictório e meio que me desafiou. Eu nem tava com o Oi Girl ali,teria que buscar lá no quarto, mas o Dean ficou botando pilha para eu buscar. Mary ficou meio horrorizada pelo desafio. Ela foi ao banheiro das mulheres, como uma verdadeira lady mesmo enquanto eu fui até o quarto buscar o Oi Girl.

E foi assim que, para fechar a noite, eu mijei de pé em um mictório ao do lado do mictório em que a lenda da surf music Dean Torrence mijava também. Mas eu não olhei para o dick dele. Tá, na verdade eu até olhei, mas não deu para ver direito. LOL

                                             
                                                Al Jardine, Dean Torrence, David Marks

David Marks


                                                                          Al Jardine

                                                                 Dean Torrence

                                                                      David Marks

                                                               Dean Torrence

Al Jardine

Assistindo ao show

                                                      Matt Jardine e Phil Bardowell

                                   David  Logeman                                                

                                                                     Gary Griffin

Surf city, here we come...

Thursday, July 14, 2016

Crônica: Beach Boys & John Stamos

Depois de ter visto Dean, Al Jardine e David Marks em maio de 2011, é claro que eu queria aproveitar ao máximo a minha estada na terrinha do Tio Sam. Mas só havia um show dos Beach Boys no país por esses dias: em Huntsville - Alabama. Uma semana depois do terremoto que arrasou a cidade. E lá estava eu cogitando voar quase que para dentro do olho do furacão. Mas era isso ou nada.

Cada vez que eu olhava a previsão do tempo, parece que mais eles atualizavam com más notícias. Não parecia uma boa ideia ir para lá. Mas eu fui mesmo assim.

Depois de enfrentar a pior turbulência da minha vida, aterrizamos no Alabama. Claro que saí do avião cantando Sweet Home Alabama, mesmo aquela terra sendo tudo, menos um lar para mim. Estava muito frio, mas depois esquentou. Eu olhei em volta e percebi que não sabia para onde ir.

Eu não tinha internet no celular, mas precisava ficar online, pois o Christian tinha mandado por email o itinerário da banda e eu precisava ver onde eles iam estar antes do show. Ligar estava fora de questão, como eu disse antes, eu entendo qualquer sotaque, menos o dele, principalmente quando ele está dando direções. Precisava ser por escrito. Mas lá estava eu no meio do nada, entre galhos e escombros embaixo de tempo fechado em uma cidade há pouco devassada por um terremoto.

O único local razoavelmente útil para me ajudar nessa busca pelos garotos da praia era uma delegacia de polícia. Entrei lá dizendo 'por favor, eu preciso muito usar a internet." torcendo para eles não perguntarem o porquê. Acho que o  policial leu o desespero na minha testa e saiu do computador, liberando o acesso para mim. Mas ele não saiu de perto. Ficou de olho no que eu estava aprontando. 

Pelo teor do email, ele deve ter percebido que não era nenhuma urgência como eu dei a entender que era. Mas ele foi gente boa e não reclamou de nada, tampouco fechou a cara. Deve ter ficado rolling eyes só por pensamento. Eu li o nome do hotel e ele até me explicou qual ônibus eu devia pegar para chegar lá. Parecia simples, mas o driver do ônibus só me confundiu dizendo que havia três hotels com o mesmo nome na cidade. E agora? O Christian não havia especificado qual. O driver deduziu que devia ser outro e que eu devia pegar outro bus. Eu não quis arriscar minhas fichas nas deduções dele e liguei para o Christian. 

Como não entendi nada do que ele explicou, eu passei o celular para o motorista e ele falou com o Christian e desligou dizendo que era aquele ônibus mesmo. 

Já nem me lembro mais o nome do hotel, só sei que quando cheguei lá vi o Christian na porta bebendo água, e com o canto dos olhos vi uma sombra que parecia ser... será mesmo? Johan Stamos! 

John Stamos, o Beach Boy honorário, estava lá. Eu era muito fã e sempre quis conhecê-lo, mas nunca coincidiu de eu estar em um show que ele também estivesse. Christian me apresentou a ele e eu virei uma sonsa que só falou merda e jogou até Full House no meio da conversa. Ainda bem que não me lembro direito da conversa.

Uma coisa boa do Stamos estar no show é que ele dividiu a batera com o Cowsill. Enquanto Cowsill tocava bateria, ele ficava na guitarra e enquanto ele tocava bateria, o Cowsill saía do palco e ficava vendo o show no canto comigo. Na verdade, ele ficava bagunçando, contando piada. É o cara mais zoado que conheço.

Na hora de cantar Barbara Ann, Mike Love puxou algumas vitimas do terremoto para cantar no palco com eles. Embora eu não fosse uma vítima, ele me puxou também e lá fui eu: Ba-ba-ba ba Barbara Ann.. ohh Barbara Ann, taaake my haand, Barbara Ann...

Depois do show todo mundo foi encher a barriga no backstage. Eu também comi um pouco. Eu nunca como muito. Eu fico sempre nervosa, excited e não consigo comer direito, mas eu sempre guardo comida e refrigerante para a volta, E é isso, nunca sei como contar o fim da noite. Vou ficar quieta... 

                                                    The Beach Boys & John Stamos

                                                                 Christian Love
   
                                                                 Mike Love

                                                                    John Stamos

                                                                        John Cowsill

                                                                 John Cowsill

                                                                    Randell Kirsch

                                                                   Mike Love

Zoeira! Foi a mulher dele, Vicki, que tirou essa foto!

                                                           Hora do Barbara Ann

                                                                  Surfing USA

                                                              Essa foto ficou boa!

Filmei uns pedaços, mas não ficou muito bom...